A Fluorose nos Dentes das Crianças.

Dra. Cristina Júlia de A. Pires
9 de setembro de 2017
Dra. Cristiane Silva Andrade
14 de setembro de 2017

✨ 👶 “Venha escovar os dentes.” Além desse alerta, que é provável que você repita para o seu filho várias vezes ao dia, há outro cuidado fundamental na hora da higiene da boca da criança: o creme dental. Isso porque o flúor, presente na maioria desses produtos, se ingerido em excesso, entre 11 meses e 7 anos, momento da formação dos dentes, pode trazer manchas brancas. Em casos mais severos, os dentes podem ficar porosos e amarronzados. É a fluorose.
Hoje não existe no mercado cremes dentais que tenham baixo teor de flúor e ainda assim consigam prevenir a cárie (há alguns produtos sem a substância, mas que não são eficazes nesta prevenção). Com o objetivo de reduzir a fluorose, que vem aumentando nos últimos anos, cientistas da USP de Bauru criaram um produto com metade do flúor das pastas normais. “Não há um consenso de que a redução dessa substância deixe o produto eficaz na prevenção da cárie. Para contornar a situação, abaixamos o pH da pasta, que fez com que o flúor reagisse melhor com o esmalte do dente, sugerindo que o creme seja tão eficaz quanto aqueles com mais quantidade”, diz Marília Buzalaf, professora de bioquímica e cariologia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo de Bauru. Segundo a especialista, é provável que o novo creme dental chegue ao mercado ainda este ano, e poderá ser usado por crianças de todas as idades, além dos adultos.
Enquanto os estudos continuam, algumas medidas em casa são importantes para que seu filho não consuma tanto flúor.
Comprar aquosas pastas COMUM e com supores, porque estimulam que a criança engula o produto. Além disso, a quantidade é outro um fator importante. “O ideal é uma `sujeirinha’ de pasta na escova”, afirma. Não deixe também os cremes dentais ao alcance de seu filho.
Além do creme dental
Embora ele seja o principal vilão para o surgimento da fluorose, não é o único produto que traz flúor em sua composição. A água e alguns alimentos também podem conter a substância. A fluoretação artificial da água, que existe em algumas regiões, principalmente no sudeste do país, embora importante no controle da cárie da população, merece atenção. “Na hora de preparar mamadeiras e comidas, em que ocorrerá ingestão de um volume maior de água, é importante substitui-la pelas minerais de garrafa”, diz Marília. A especialista alerta que algumas águas compradas não seguem a quantidade de flúor escrita em seu rótulo.
De acordo com a pesquisadora, alguns alimentos consumidos principalmente pelas crianças, como achocolatados em caixinha e bolachas, apresentaram flúor em sua composição. “Muitas vezes, esses produtos infantis são enriquecidos com fósforo e cálcio, e é comum que a fonte de fósforo venha contaminada com o flúor, sem o conhecimento do fabricante”, afirma. Por isso, procure evitar que seu filho consuma muito esses alimentos, supervisione sempre o momento da escovação dos dentes e oriente-o para que cuspa todo o produto.